O Dia Nacional do Mutualismo ficará marcado pelo lançamento do livro “Breve História do Mutualismo em Portugal”, que resulta de um projeto de investigação de Álvaro Garrido, distinto professor catedrático da Universidade de Coimbra, Diretor da Faculdade de Economia, com vasta obra publicada na área da História económica e social, História das instituições da economia social, do corporativismo e das pescas.

Editado pela União das Mutualidades Portuguesas, este livro é de leitura imprescindível para mutualistas, investigadores, estudantes e interessados sobre a temática do mutualismo e da economia social, mas também para dirigentes da administração pública, central e municipal, e público em geral.

A apresentação da obra será efetuada num momento evocativo dos 846 anos de História do mutualismo em Portugal, que será protagonizado pelo autor, Álvaro Garrido, e pela investigadora Deolinda Meira, no arranque do período da tarde destas comemorações.

O resumo da obra

Antes de o Estado-Providência assumir as suas primeiras feições, o mutualismo já era uma realidade viva a que correspondiam ideias, práticas e organizações assentes em princípios colectivos de solidariedade, reciprocidade e entreajuda.

O mutualismo é uma ideia social e económica que tem raízes históricas profundas que exigem um trabalho constante de memória capaz de sedimentar as dinâmicas do presente e do futuro. Os valores mutualistas são lendários, mas profundamente atuais e muito enraizados nas comunidades locais. O mutualismo traduz valores humanistas e solidários e consiste numa forma alternativa e auto-organizada de organização da vida social. A importância deste património de ideias e de práticas é decisiva num tempo em que as dinâmicas sociais exigem formas de reciprocidade e uma ação colaborativa capaz de responder ao agravamento das desigualdades e aos desafios da sustentabilidade.

A história do movimento mutualista não é linear e exige diversas articulações: remete para as relações entre formas de economia social, em sentido amplo, e modelos de Estado-Providência; reflecte as relações entre vida material e práticas sociais; e, por último, traduz os contextos de mudança e continuidade das relações laborais e da cultura de trabalho. De certa maneira, o mutualismo é um fenómeno total que intersecta diversos domínios da realidade histórica.

Tal como se observa no caso português, o longo trajecto das formas de assistência social e previdência evoluiu de um associativismo assente em práticas de reciprocidade para formas mais instituídas de associação, a exemplo das associações de socorros mútuos. A evolução dos modelos institucionais de mutualismo também beneficiou claramente de movimentos sociais e de ideias como o cooperativismo, o sindicalismo operário e o associativismo de cultura e recreio. Num movimento histórico não linear, as práticas ancestrais de mutualidade foram afluentes do associativismo moderno e das formas de Estado Providência. Este livro oferece uma síntese do percurso histórico das ideias e práticas mutualistas, em Portugal e na Europa.

O recorte cronológico da análise incide nos séculos XIX e XX mas recua a períodos mais remotos. As fontes utilizadas foram amplas e variadas e beneficiaram de anteriores trabalhos do autor no domínio mais vasto das ideias e práticas de economia social em perspectiva histórica.