O evento comemorativo do Dia Nacional do Mutualismo realizado, na sexta-feira, 30 de maio, no Hotel Solverde, em Vila Nova de Gaia, abriu com uma sessão de intervenções institucionais, onde o Presidente da União das Mutualidades Portuguesas, Luís Alberto Silva, perante uma plateia composta por dirigentes mutualistas, representantes do setor social e autoridades convidadas, destacou o papel histórico e atual das mutualidades na proteção social, defendendo uma visão mais ambiciosa e integrada para o futuro.
Com 849 anos de história, o movimento mutualista foi descrito como um “organismo vivo” que responde, inova e se adapta aos desafios sociais. “O mutualismo é a essência da resposta à previdência social do futuro”, afirmou o presidente, sublinhando que o setor deve estar presente nos espaços de decisão, nomeadamente nos grupos de trabalho sobre pensões e Segurança Social, dos quais tem sido sistematicamente excluído.
Na sua intervenção, Luís Alberto Silva reivindicou medidas concretas para reforçar a ação mutualista, nomeadamente a revisão do Código das Associações Mutualistas, a criação urgente da Lei de Financiamento do Setor Social e a celebração de novas convenções na área da saúde. “Não podemos aceitar mais demoras. Temos de remover os constrangimentos que limitam o crescimento e a modernização das mutualidades”, afirmou, criticando a desigualdade de tratamento face a outras instituições do setor social e do setor privado, nomeadamente na área dos cuidados de saúde.
O presidente anunciou ainda o lançamento das Jornadas Mutualistas, que terão lugar entre 26 e 28 de junho em Santa Maria da Feira, com o objetivo de capacitar uma nova geração de dirigentes mutualistas. Um investimento estratégico para garantir a continuidade e renovação do movimento, apelando à participação de jovens com menos de 50 anos. “Vamos formar, especializar, inspirar”, reforçou.
A celebração deste dia simbólico é, segundo o dirigente, um momento de compromisso renovado com os valores fundadores da solidariedade mutualista. “O mutualismo não é um museu. É uma chama que só continuará a arder se todos soprarmos sobre ela”, concluiu.
Valores que Carla Silva, Presidente da Mesa da Assembleia Geral da UMP, sublinhou nesta sessão de abertura. Na sua intervenção, evocou o poema “O Mostrengo”, de Fernando Pessoa, para ilustrar os desafios do presente. Sublinhou que os “homens do leme de hoje” devem firmar as mãos no timão, enfrentando com coragem os “mostrengos” contemporâneos que nos inquietam: a pobreza, a exclusão social, a imigração, a sustentabilidade, a saúde e a prevenção da doença, a longevidade, o individualismo e a intolerância. Lembrou ainda que o mutualismo, há 849 anos, se mantém ao leme de soluções solidárias e inovadoras para responder a cada um destes desafios.
